Como não poderia deixar de ser, vou postar o meu primeiro texto, algumas considerações são necessárias, fiz esse texto a praticamente 2 anos representou e representa muito em minha vida, o interessante é que esse texto serviu como base para que um grande amigo André Fontes fizesse uma belíssima música chamada “Valsa da Madrugada”, texto meu, música e adaptação André Fontes e título Pedro Feitoza.
“Numa noite de chuva, numa noite fria, gélida, de um cinza de cortar qualquer sentimento, seja ele de saudade, de ternura, de reencontro, de esperança em estar com o seu amor. Uma brisa tenra adentra o seu quarto e parece soprar coisas ao seus ouvidos, coisas que choram, que sentem, impressões que trazem ao espírito um certo desespero, um querer bem desesperado por algo que se foi. As lembranças que inevitavelmente se farão presentes para lhe consolar, que perfazem o caminho dos mais íntimos pensamentos e de repente como em um passe de mágica chegam aos olhos, transformando-se em lágrimas ao se fazer saber que não passam de lembrança.
Numa noite como esta existe a companhia da música, de Vinícius, Cartola, Tim Maia, músicas que lhe trarão alento, que lhe trarão a dor de um poeta e lhe fará pensar que sua dor não é tão grande quanto a desses, que farão com que você sonhe com novos amores e novas desilusões cantadas de forma tão bela. Levando-o a sentir animo para amar de novo, se entregar de novo, procurar algo que em uma noite como esta só o invocar essa possibilidade lhe traz arrepios não os de frio, mas sim os de prazer, ao pensar nos momentos que você terá com o seu amor, encontrando-a sorrindo de forma doce e meiga, com um olhar de paixão e de dedicação que faria até o mais frívolo dos homens derreter-se ao contemplar visão tão estonteante e bela, que se resume a um sorriso, apenas um sorriso.
Noites como esta resumem-se a solidão, a tristeza, a companhia apenas de uma tv, de um computador, objetos inanimados que não nos podem passar carinho e afeto, tal qual desejaríamos nos braços de uma mulher, vendo-a dormir de forma doce e sutil, ao nosso seu lado, de forma ímpar, essa visão lhe faz passar a noite inteira em claro, apenas a observando, admirando, contemplando tão bela criação divina.
A desventura da vida nada lhe traz em uma noite como esta, apenas algumas lembranças, lembranças essas que farão você procurar diversas posições para dormir e, por fim, não encontrar nenhuma, até que Morpheu tenha piedade do sofrimento de um relés mortal e que copiosamente o envie o sono dos justos. Sono este que lhe levará a um mundo aonde tudo é permitido até mesmo reviver aquele amor que se passou, viver uma ilusão, um doce sonho de que tudo aquilo se fez presente, durante algum tempo, durante a madrugada, durante segundos, que lhe fez sorrir e sentir bem, que lhe fez não querer mais acordar, sonho este que passará com a noite fria e gélida.
O sol, astro rei, dissipará o cinza da noite fazendo resplandecer um novo dia e acabará por acorda-lo do seu sonho, com a certeza de que tudo aquilo não passou de um sonho, um sonho bom que como todos os outros da sua vida passaram e fizeram você ter a certeza de que o dia raiou para uma nova vida, um novo sentimento, um novo amor, para um novo sonho que precisa ser vivido com a mesma intensidade e devoção de todos os outros, que se fez e farão presentes em sua vida”.
Esse foi o primeiro passou por poucas modificações preferi deixa-lo assim porque acho que foi um momento de intensa emoção que precisa ser retratado com fidelidade quem sabe um dia eu mudo, mas por enquanto fica aqui como meu primeiro texto.
Abraços.